Na sua opnião contabilidade é gasto ou investimento?
Ver Resultado

3 de novembro de 2015
Quanto vale a sua empresa?
3 de novembro de 2015
A armadilha do fundador
3 de novembro de 2015
Empreender exige planejamento
24 de março de 2015
Pare, olhe, escute

Elas são mais que donas de casa, elas são empreendedoras de sucesso

A habilidade da mulher de cuidar dos filhos, da casa, do marido, traz consigo um dom natural do saber administrar, do saber desviar das pedras, de se virar, de fazer cada coisa no seu tempo. E, é por isto, que o empreendedorismo feminino tem ganhado asas e alcançado voos ainda mais altos no Brasil. Em Alagoas, o cenário não é diferente.

O Portal Tribuna Hoje conversou com mulheres empreendedoras em Alagoas que romperam o medo e seguiram determinadas a vencer, na busca da realização dos seus sonhos, destemidas, desafiadas muitas vezes, mas nem um pouco preocupadas em desistir, aliás, esta palavra para elas não existe no dicionário.

Dados mostram que as mulheres têm buscado formalizar o seu negócio e  mais capacitação, elas também procuram superar o machismo, e muitas vezes fazem o papel do homem sendo chefe da família, contribuindo 100% com a renda da casa.

Entre 2002 e 2012, o número de Donas de Negócio no País cresceu 18%, passando de 6,1 milhões para 7,2 milhões de pessoas. Nesse mesmo período, o número de Donos de Negócio no País cresceu apenas 8%, passando de 14,8 milhões para 15,9 milhões de pessoas.

Participação da mulher com negócio aumentou, diz IBGE

Uma pesquisa apresentada em fevereiro deste ano pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que a participação relativa das mulheres com negócio cresceu de 29% em 2002 para 32% em 2009, permanecendo próximo a 31% nos anos de 2011 e 2012.

Durante os últimos 10 anos, o número de Donas de Negócio se expandiu em 1,1 milhão de pessoas. A pesquisa observa que a tendência de aumento da participação das mulheres como Donas de Negócio deve continuar nos próximos anos.

De acordo com o diretor do Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas, Marcos Vieira, 54% das empresas individuais são de mulheres à frente do negócio e 51,8% dos novos negócios na região Nordeste são de mulheres.

Segundo ele, a modernização e a evolução da sociedade rompem com o preconceito de que: mulher nasceu somente para cuidar de casa, filhos e marido. “Hoje elas ajudam na contribuição da renda de forma totalmente independente. As mulheres têm qualidades inerentes ao gênero e os homens seguem estimulando, isto é, sendo parceiros”, ressaltou.

No Brasil, 33,5% dos empreendedores usam salto alto e batom.

Maria do Pão de Mel produz seu negócio em casa há três anos

A fachada do prédio não revela, mas no interior de um dos 48 apartamentos existe um negócio comandado por uma mulher que é bastante lucrativo na capital alagoana. Foi a necessidade, que transformou a cozinha do lar de dona Sara Nascimento, de 54 anos, o seu local de trabalho.

O sucesso veio há três anos e não parou mais. Ela conta que a ideia de cozinhar em casa não é nova, mas ganhou peso quando seu esposo teve um problema de saúde. “Tive que arregaçar as mangas e colocar o plano em prática, virei chefe de família, e com os filhos adolescentes não perdi tempo, comecei a trabalhar na cozinha de casa primeiramente com marmita, depois com o pão de mel”, explicou.

Logo depois veio a iniciativa de habilitar a sua ideia e surgiu assim a Maria do Pão de Mel. A empreendedora Sara, procurou o Sebrae – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas, para formalizar sua empresa e contou com a disposição de pessoas que a orientaram em toda a sua trajetória.

Para ela, a consultoria do Sebrae foi fundamental para tocar o barco em meio as dificuldades de cuidar da casa, do marido doente, dos filhos, e ainda trabalhar duro para o sustento da família.

Mas, ela não desistiu e incutiu na mente que qualquer mulher pode ser mais que dona de casa, e caiu em campo em busca dos seus ideais.

“Passei por várias dificuldades, porém nunca pensei em parar, desistir. Sempre fui uma mãezona e queria algo que pudesse fazer em casa mesmo, gosto de cozinhar e dai veio à ideia de empreender neste sentido. Hoje meu pão de mel faz sucesso e tenho orgulho disso, porque minha receita é exclusiva, em meio a uma concorrência tão grande”, observou.

Maria diz que medo deve ser enfretado, assim como ela fez após doença do marido

Maria do Pão de Mel, a Sara, diz que não quer parar, que não se ver fazendo outra coisa na vida. “Trabalho por enquanto com encomenda apenas, mas busco voos mais altos, pretendo abrir uma loja de pão de mel e sobremesas. Apoio é o que nunca me faltou; meus filhos e meu esposo sempre me ajudaram, e a mulher não pode ter medo, o medo paralisa, o medo deve ser enfrentado, a mulher tem que ser persistente, se tem um dom ou um sonho tem mesmo é que ir atrás dele”, reforçou.

Pães de Mel são conhecidos e diferenciados por receita própria

Ela frisou que a falta de tempo não é desculpa para a mulher empreendedora, e que sobra sim, tempo todos os dias até mesmo para a sua caminhada. “A mulher empreendedora, além de ser mãe, esposa e do lar, também tem que cuidar da sua saúde e da beleza, sempre sobra tempo, dá tempo, é só querer”, destacou.

Cledja começou como serviços gerais em salões de beleza

A cabelereira tinha um sonho e fez acontecer

Outra história de vida que chama a atenção é a da cabelereira Cledja Lourenço, de 40 anos, ela é mais uma das mulheres, dona do próprio negócio, e que deu certo na capital alagoana.

No entanto, ela faz uma pausa durante a entrevista e conta emocionada que a sua vida não tão foi fácil; crescer e realizar o sonho de ser empreendedora geraram muitas lágrimas, mas ela acreditou que podia que faria acontecer, e fez.

Fruto de uma adoção, Cledja diz que sua infância foi difícil, que teve que começar a trabalhar logo cedo, e escolheu os salões de beleza como a sua primeira oportunidade de conhecer o mercado estético.

“Aos 13 anos tive que procurar um trabalho, porque meus pais adotivos eram carentes e a gente passava necessidade. Fui servir nos salões de beleza, fazia limpeza, e aproveitava para observar as cabeleireiras, gostei tanto que aos 17 anos comecei a praticar e atender a domicílio as clientes”, relatou emocionada.

Para a cabelereira, não tem essa de dizer que mulher nasceu para ser somente dona de casa; Cledja afirma que se a mulher souber dividir seu tempo, faz todos os afazeres domésticos, cuida dos filhos, do marido e ainda sobra para cuidar dela.

“Falta de tempo não é desculpa para a mulher que busca abrir o seu próprio negócio. Filhos, marido e as coisas de casa não são empecilho para quem quer trabalhar de verdade, sempre há tempo para tudo, basta apenas saber administrá-lo”, defendeu.

Número de donas de negócio chefe de família subiu nos últimos anos

A cabeleireira não se intimida em afirmar que assume 100% das despesas de sua casa, e ela não está sozinha. Dados da pesquisa realizada pelo Sebrae intitulada “Os Donos de Negócio no Brasil: análise por sexo (2002 – 2012)” divulgada este ano, tendo como fonte de informação, – os dados disponíveis na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, referente ao ano de 2012, – revelaram que em 2002 havia 1,668 milhão de Donas de Negócio chefes de domicílio, número que subiu para 2,842 milhões em 2012 (expansão de quase de 1,2 milhão de Donas de Negócio chefes de domicílio).

Cledja tem duas filhas, uma de 14 anos e outra de 20, e enfatiza que elas não correm o risco de passarem pela mesma situação que a sua. “Graças ao meu esforço e muito trabalho, hoje elas têm tudo; a mais velha já está fazendo enfermagem numa faculdade particular, e a menor estuda em escola privada”, frisou com orgulho.

“Vou morrer trabalhando, antes fazia por necessidade, mas acabei aliando a satisfação e a gratidão, hoje faço meu trabalho por amor. A mulher empreendedora não tem como não ser vitoriosa, mas sabemos que este mérito só é conquistado com muita luta, batalha e coragem”, acrescentou.

Cledja se orgulha do Centro de Estética montado com seus esforços. Ela quer ainda mais.

Apoio do marido

Para dá uma mãozinha no ritmo intenso do trabalho em seu salão, Cledja contou com uma ajuda inesperada, que segue seus passos até agora. Ela conta que seu esposo Walter foi quem a presenteou com o seu primeiro secador, esmaltes, e de lá para cá não parou mais.

“Meu esposo sempre foi meu grande parceiro, desde a época de namorados ele esteve presente, meu principal apoiador. Ele via tanto meu excesso de trabalho que resolveu se profissionalizar e aprendeu tudo. Valter me ajuda bastante!”, comemorou.

A cabeleireira destacou o incentivo que o Sebrae dá para o empreendedor. Cledja disse que já tem 20 anos no mercado, mas formalizou sua empresa há três anos. “O Sebrae abre portas, mostra a oportunidade de visão de negócio no mercado, sem o pessoal do Sebrae não estaríamos neste patamar”, salientou.

Ela que começou como cabeleireira e manicure a domicílio, hoje tem o seu centro de estética e pretende ampliar para uma escola profissionalizante no ano que vem.

Formalização e capacitação: alma do negócio

Até 2009, as mulheres empreendiam em menor número, segundo Sílvia Chamusca, gerente de Capacitação Empresarial do Sebrae em Alagoas; mas de acordo com ela, com o advento da Lei da Micro e Pequena Empresa, quando foi instituído o Micro Empreendedor Individual (MEI), ficou notória a ‘enxurrada’ de mulheres que começaram a procurar o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas, com o intuito de se formalizar.

Número de mulheres que buscam formalização é maior que de homens, no Sebrae

A reportagem confirmou a informação quando se deparou com a maioria sendo de mulheres no atendimento para a formalização da empresa. Apenas um homem estava à espera, mas não era para se formalizar não, era apenas esperando a sua esposa.

Ivone Romeiro dos Santos, que é artesã, trabalha há mais de dez anos com crochê e estava na informalidade, no entanto decidiu procurar o Sebrae e se formalizou. Ela conta que trabalha em casa mesmo, mas que tem clientes fiéis, que inclusive revenda suas peças em boutiques de luxo na capital alagoana.

A artesã tem três filhos jovens e que para melhorar a renda familiar resolveu ajudar o marido e aprendeu a fazer crochê.

Sílvia Chamusca diz que: “o número de mulheres nas salas de formalização é notória e aumentou significativamente com o surgimento do MEI, isto significa que elas existiam, porém não eram formalizadas”.

“São duas turmas diárias onde são feitas palestras enfatizando as vantagens da formalização, sem dúvida nenhuma o número de mulheres é bem maior que buscam pela palestra, a mulher atualmente supera o homem no que diz respeito gerir os negócios, do ponto de vista de gestão de pessoas, de processo”, destacou a gerente de capacitação.

Sílvia Chamusca diz que clientes se sentem mais confiantes quando atendidos por mulheres

Chamusca enfatiza que a mulher tem a prática do lar, o próprio processo histórico do trabalho administrativo doméstico já faz com que a mulher tenha o controle das finanças, do estoque, de processos, isto é, segunda Sílvia, a mulher já faz um processo doméstico que se leva para a empresa. “Elas trabalham em cima do tempo, mapeiam o processo doméstico, elas sabem exatamente como funciona, porque faz parte do processo natural da mulher”.

“Então quando ela abre um negócio, ela já sabe, já tem uma visão sistêmica que é de fundamental importância para a gestão do negócio”, explicou.

A gerente do Sebrae acrescenta que uma pesquisa revela que os clientes se sentem mais confiantes quando atendidos por mulheres. “Interessante! Provavelmente trabalhando estes critérios se atinge os melhores resultados. Mais um ponto positivo para as mulheres empreendedoras”.

De acordo com o Sumário Executivo que contém os resultados da pesquisa GEM Brasil 2013, que faz parte do projeto Global Entrepreneurship Monitor, – que objetiva compreender o papel do empreendedorismo no desenvolvimento econômico dos países, - no Brasil 52,2% da distribuição dos empreendedores iniciais são femininos e 47,8% masculino.

O GEM demonstra o crescimento, e indica que a mulher busca mais capacitação. Silvia Chamusca exemplifica que, o homem quando vai abrir uma empresa, ele leva apenas o conhecimento dele; diferente da mulher, que por uma questão cultural, age com cautela, busca mais apoio, busca se preparar mais para abrir um negócio.

“A procura por capacitação é maior de mulheres. Elas voltam ao Sebrae para buscar orientações. Comércio e serviços têm maiores procuras. Elas começam inicialmente em casa, na informalidade, trabalhando entre a casa e o cuidar dos filhos, no entanto não param se expandem”, frisou a gerente do Sebrae.

Chamusca destaca centenas de histórias de superação de mulheres que não desistiram em meio aos tropeços da vida. Ela contou um caso em que a mulher empreendedora ao viajar para receber um prêmio de destaque em Brasília, o marido não gostou o holofote em cima dela e pediu a separação.

“Elas podem e podem muito. Conciliar negócio com casa é mais fácil, porque não tem patrão. É bonito de ser ver mulheres começando seu negócio com filhos pequenos, que irão acompanhá-la ali dentro, o que seria impossível levar filhos para nanar no trabalho patronal, a licença maternidade tem prazo para terminar”, observou.

“No empreendedorismo feminino se dar para conciliar, é um trabalho de administração onde se desvia das pedras, aonde se vai costurando, por isso que a mulher tenha uma capacidade maior de enfrentar os problemas, jogo de cintura, mulher tem uma expressividade maior em todas as regiões do país”, comemorou Sílvia Chamusca.

“Empreender muitas vezes significa conciliar a sua vida doméstica com o seu negócio, leva a mulher a optar por esta forma de ganhar a vida”, finalizou.