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O que as empresas familiares bem-sucedidas podem ensinar

Renato Bernhoeft

É preciso reconhecer e valorizar o fato de que a estabilidade da economia brasileira, bem como a projeção do país no atual contexto do mercado mundial se deve, em grande parte, às empresas nacionais. De forma muito especial, existe um significativo conjunto de empresas familiares que já ultrapassou os cem anos de atividades e que ainda permanece sob o controle da família fundadora.

Esta análise ganha importância, por se contrapor à imagem preconceituosa que perdura em muitos segmentos sobre a empresa familiar brasileira. Destaco cinco das mais bem- sucedidas do país com essa estrutura: Ypióca, Gerdau, Cedro Cachoeira, SulAmerica e Casa da Bóia.

Localizadas em diferentes regiões do país, elas atuam em segmentos completamente distintos e possuem dimensões aparentemente incompatíveis para uma comparação.

Mas todas têm algo em comum. Demonstram uma visão de longo prazo dos seus fundadores e herdeiros. Isso permitiu assegurar a continuidade por mais de um século o controle do mesmo grupo familiar. Inclusive, as organizações que abriram o seu capital ou admitiram novos sócios investidores conseguiram se manter ao longo do tempo.

Esses grupos nunca deixaram de lado o foco nos negócios de origem. Agiram de forma muito semelhante a empresas europeias e americanas, de origem familiar, que têm hoje mais de duzentos anos de história. Além disso, criaram estruturas de governança e poder que contemplam a formação de conselhos tanto no âmbito da família e do patrimônio (societário) quanto no da empresa (administração).

Essas companhias desenvolveram formas de transmitir o legado como história, valores e princípios às novas gerações. Suas histórias são registradas não apenas de forma institucional, mas também como um instrumento que busca gerar compromissos dos herdeiros com a origem do negócio. Isso dá sentido e valoriza a herança.

Outro ponto comum que as empresas brasileiras possuem são programas e atividades com o objetivo de formar seus herdeiros para o papel de acionistas e membros de uma família empresária.

Elas também estruturaram de forma participativa um protocolo que estabelece direitos e obrigações dos sócios e seus familiares nas suas relações com o patrimônio, sociedade e empresas. Uma ação essencial para o seu bom desempenho é estimular a criação de fontes alternativas para liquidez das famílias e herdeiros, de forma a reduzir a dependência financeira dos resultados da empresa.

Permitir a busca da realização pessoal e profissional de cada um dos seus herdeiros, por meio de iniciativas e atividades que não sejam dependentes, exclusivamente, das empresas controladas, também ajuda a organização a permanecer bem-sucedida.

Por fim, é preciso lembrar que a estruturação legal dessas companhias contempla tanto as questões do direito de família, como o societário e o tributário, sempre de uma forma integrada.

É fundamental, portanto, para o desenvolvimento do país, estudar e compreender melhor a importância, a continuidade e a valorização das empresas de controle familiar.

Fonte: Valor Econômico