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Os lucros enormes das empresas pequenas

Os fundos small cap foram os mais rentáveis da bolsa, nos últimos 12 meses. Conheça essas carteiras e saiba como ganhar dinheiro com elas

Por Juliana Schincariol

Na bolsa, como na vida, tamanho não é documento. As ações das companhias de pequeno porte vêm rendendo bem acima da média do mercado e os fundos dedicados a elas, conhecidos como fundos small cap, acompanham essa valorização. Segundo um estudo da consultoria Economática realizado especialmente para a DINHEIRO, a média desses fundos rendeu 15,5% nos 12 meses findos em março. 

No mesmo período, o Índice Bovespa caiu 2,1%. Mas atenção: não se deixe levar pelas aparências. No jargão da bolsa, pequeno porte é a classificação para uma empresa cujo valor de mercado varia entre R$ 1 bilhão e R$ 5 bilhões. Por exemplo, companhias desse grupo, como Hering e Marcopolo, valem R$ 4,9 bilhões e R$ 3 bilhões, respectivamente. Trata-se de valores bem inferiores ao de uma representante das chamadas blue chips, como a Gerdau, avaliada em R$ 27 bilhões. 
 

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Roberta Kosaka e Guilherme Rebouças: gestores do Itaú Unibanco
responsáveis pelos fundos small caps

 

Qual a diferença entre os fundos small cap e os fundos de ações tradicionais? Apenas uma. Em um fundo de ação tradicional, o gestor vai dedicar uma fatia dos recursos às ações das maiores empresas listadas na bolsa, papéis de gente grande, como Petrobras, Vale, Bradesco e Itaú Unibanco, em busca da segurança e da liquidez que esses papéis oferecem. Ou seja: é mais difícil ficar milionário comprando essas ações, mas a probabilidade de que essas empresas venham a quebrar é muito remota. 
 
Em um fundo small cap, abreviação para a expressão inglesa “small capitalization”, ou pequeno valor de mercado, o gestor compra papéis de empresas menores e bem menos negociadas. O risco cresce, pois as cotações oscilam mais e a chance de que as coisas desandem é maior, mas há maiores possibilidades de ganho. As ações mais rentáveis de 2010 são de empresas de menor capitalização, papéis como Hering PN, que avançou 183%, e Marcopolo, que subiu 119%.
 
A estratégia de investimentos pode ser resumida em poucas palavras. O gestor procura uma ação de uma boa companhia que não esteja chamando a atenção do mercado, compra e espera algum tempo até a empresa crescer e ficar conhecida, quando seus preços vão subir muito mais do que a média. 
 
 

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Como descrever essa técnica é muito mais fácil do que colocá-la em prática, a alternativa é contratar um gestor de fundos, que vai se dedicar apenas a isso. “Qualquer hora é hora de farejar o mercado”, diz Mauro Bergstein, responsável pela Credit Suisse Asset Management. “Estudamos muito em busca de investimentos interessantes.” 
 
Mergulhar em relatórios, bancos de dados, estudos setoriais e conversas com a direção das empresas faz parte da rotina diária da equipe liderada pelo gestor André Caldas, que administra o fundo CS Selection, segundo mais rentável pela pesquisa da Economática. Depois de subir 28%, ainda há espaço para ganhar dinheiro? “Sim, há boas empresas e bons setores”, diz ele. “Nosso objetivo é olhar para os papéis que o mercado não esteja olhando.” Para Caldas, ainda há boas oportunidades em empresas do setor de consumo.
 
 

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Os gestores começaram a prestar uma maior atenção a esse segmento, em meados de 2008, quando a crise financeira internacional fez desabar as cotações das ações na bolsa. Atualmente há 24 fundos de ações dedicados exclusivamente às ações de empresas pequenas. O líder de rentabilidade foi o Quest Selection, da Quest Investimentos. 
 
Com um patrimônio de R$ 13 milhões, esse fundo rendeu 36,7%. Segundo o gestor Luiz Henrique Guerra, há boas possibilidades de ganho nas ações de empresas como Even, M. Dias Branco, Sul América, Tecnisa, Equatorial e Coelce. 
 

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“São companhias com excelentes fundamentos”, diz ele. Guerra se anima com a perspectiva de lançamentos de ações (IPOs, na sigla e inglês) e a chegada de mais empresas menores à bolsa. “Haverá muitas oportunidades nos próximos cinco a dez anos”, afirma. “Temos uma perspectiva positiva para o longo prazo.” O investidor tem de ter paciência, portanto.
 
O porte reduzido é outra característica desses fundos. Como as empresas em que eles investem não têm grandes quantidades de ações em circulação no mercado, as carteiras acabam ficando igualmente pequenas. Primeiro, porque algumas companhias, além de ganharem liquidez, cresceram em valor de mercado, deixando, assim, de ser uma small cap puro-sangue. 
 
 

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“As companhias ganharam liquidez, começaram a falar com o mercado e seu desconto em relação a outros ativos diminuiu”, diz Guerra. Por isso, alguns gestores torcem para que o fundo atraia muitos investidores – mas não tantos assim. “Se o patrimônio do fundo crescer demais, nosso trabalho fica muito mais difícil”, diz Guilherme Rebouças, chefe da área de ações diferenciadas do Itaú Unibanco. 
 
“Esses fundos servem para diversificar o portfólio do investidor e adicionam risco”, reforça Roberta Kosaka , gestora dos fundos small caps da instituição. O banco é quem mais administra esses fundos dedicados, com um patrimônio total de R$ 800 milhões. Setores como bens de capital, construtoras, consumo, saúde e educação são os preferidos.
 
O primeiro trimestre deste ano foi marcado por uma realização de lucros das ações. A queda ocorreu, principalmente, em janeiro e fevereiro, devido às preocupações com a inflação no Brasil e nos Estados Unidos e pela deterioração das expectativas de crescimento. Os gestores não reclamam. “Papéis de que gostamos muito caíram de 25% a 30%, o que gera oportunidades de compra”, diz Bergstein, do Credit Suisse. “Pode haver um movimento de alta  no segundo, terceiro e quarto trimestres.”
 
Fonte: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/53977_OS+LUCROS+ENORMES+DAS+EMPRESAS+PEQUENAS