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Planejamento nas cidades estimula aumento do empreendedorismo

De acordo com estudo da ONG Endeavor, em um universo de quase 5 milhões de companhias, apenas 35 mil empresas conseguem crescer acima de 20% ao ano por três anos seguidos no Brasil

Fernanda Bompan

São Paulo – Estudo inédito divulgado ontem pela ONG Endeavor mostra que o planejamento, não somente do empresário, mas também das cidades, é importante para que o empreendedorismo do País avance.

De acordo com o levantamento, em um universo de quase cinco milhões de empresas localizadas nas principais capitais do Brasil, apenas 35 mil empresas (1% do total) conseguem crescer acima de 20% ao ano por três anos seguidos.

“Pela pesquisa, Florianópolis é a capital brasileira – entre 14 analisadas – com as melhores condições para se empreender. Mas não aconteceu de um dia para outro. Desde os anos 60 investiu nas universidades com doutores e pesquisadores e isso fez com que criasse uma cultura de empreendedorismo e inovação”, explicou a diretora da pesquisa, Pamella Gonçalves.

Conforme o estudo, em 1962, foi fundada a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que, pela falta de professores na região, precisou “importar” doutores de outros países. Em 1984, depois de voltar do doutorado, o professor Carlos Alberto Schneider criou a Fundação Certi, com o objetivo de fomentar a criação de tecnologias inovadoras. De lá pra cá, a instituição ajudou a fundar uma incubadora, um condomínio de empresas e um Parque Tecnológico, o Tec Alfa, em 1993, um dos primeiros do País.

Características

De fato, um dos destaques que fez a capital de Santa Catarina ser a primeira do ranking foi o quesito capital humano. “Foi uma questão de proporção. Apesar de São Paulo [segunda no ranking] também contar com instituições fortes em especialização, como a USP, em Florianópolis, aqueles que abrem seu negócio conseguem contratar mais essa mão de obra qualificada. Na capital paulista, esses profissionais podem preferir ir para uma multinacional, já que os salários são maiores, por exemplo”, disse Pamella.

Um segundo fator, a infraestrutura, para a cidade catarinense também foi um motivo para o resultado final do Índice de Cidades Empreenderas. “A infraestrutura interna, como o transporte coletivo, é um desafio para Florianópolis, assim como ocorre em São Paulo, mas o estudo verificou que esse quesito não atrapalha a qualidade de vida do empreendedor dessa capital catarinense”, esclarece.

Objetivos

Por outro lado, a diretora da Endeavor ressalta que o fato de Florianópolis ser o destaque entre as cidades pesquisadas, não significa que é melhor local para qualquer negócio. “Se a empresa precisar de muitos investimentos, tiver um fluxo grande de caixa, o melhor lugar pode ser São Paulo, a primeira capital entre as 14 pesquisadas com o melhor acesso ao crédito. Ou se precisar de mão de obra qualificada aí, sim, seria Florianópolis”, alerta. Por isso, ela sugere que a pessoa que pretende abrir um negócio leia o relatório também, disponível no site www.endeavor.org.br/ice2014.

Outro exemplo, é que com relação especificamente ao ambiente regulatório – o que inclui tempo de abertura de empresas e custo com impostos – o destaque é Goiânia. “Isso está muito relacionado à burocracia impostas pelas cidades. Porto Alegre está em último lugar nesse quesito, o que nos chamou atenção. Mas isso ocorre porque desde o caso da Boate Kiss, as autorizações do Corpo de Bombeiros estão mais rígidas e isso se reflete na abertura das empresas”, justificou a diretora da ONG, ao se referir ao incêndio na discoteca localizada na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e que matou 242 pessoas em janeiro do ano passado.

De acordo com Pamella, além de orientar os empreendedores, a Endeavor pretende, a partir da divulgação do estudo, procurar as prefeituras para o desenvolvimento de políticas públicas, começando pelas pesquisadas – Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Vitória, além de Florianópolis, Goiânia São Paulo e Porto Alegre – depois “transbordando” para os demais municípios.

Fonte: DCI – SP